Soldado Sampaio promete concluir obras paradas na Saúde e denuncia abandono de escolas indígenas em Roraima

O governador de Roraima, Soldado Sampaio, disse que uma das prioridades de sua gestão tem sido concluir obras públicas que, segundo ele, foram inauguradas ou deixadas em estágio avançado de execução sem condições reais de funcionamento. As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio Folha, na manhã deste domingo (14). 

Na saúde, Sampaio citou como exemplo o Hospital de Bonfim, cuja estrutura já estava em fase final de construção quando assumiu o governo, mas não tinha equipes para funcionar. “Pegamos o Hospital de Bonfim praticamente pronto e fizemos a entrega. Hoje ele está funcionando e atendendo a população”, afirmou.

O governador também anunciou que o Hospital de Normandia deverá entrar em funcionamento nos próximos dias após a regularização do fornecimento de energia elétrica. Segundo ele, a unidade foi inaugurada sem possuir ligação regular à rede elétrica. 

“Por incrível que pareça, o hospital tinha uma ligação clandestina de energia, um gato. Negociamos a dívida, pagamos a primeira parcela e conseguimos autorização para regularizar a situação. Agora estamos finalizando os procedimentos para colocar o hospital em funcionamento”, declarou.

Sampaio também relatou problemas em um bloco novo da maternidade Nossa Senhora de Nazareth, que possui mais de cinquenta leitos e unidades de terapia intensiva destinadas ao atendimento materno-infantil.

De acordo com o governador, o bloco está pronto há meses, mas não pôde ser entregue porque a obra foi concluída, sem ter projeto de subestação elétrica, que é necessário para o funcionamento da unidade.

“É um bloco importante, com leitos de alta complexidade e UTI, que ajudará a evitar a transferência de mães em situação grave para outras unidades. Mas esqueceram de incluir a subestação elétrica no projeto. Estamos trabalhando para resolver isso e entregar a estrutura à população”, disse.

O governador afirmou que já iniciou tratativas com a concessionária Roraima Energia para viabilizar uma solução emergencial, enquanto a estrutura definitiva é implantada. Apesar das críticas aos responsáveis pelas obras, Sampaio disse que sua prioridade é garantir que os investimentos públicos resultem em benefícios concretos para a população.

“Vamos responsabilizar quem deixou obras pela metade ou entregou serviços incompletos. Será feita Tomada de Contas. Mas não podemos penalizar a população pelos erros dos gestores. Nosso compromisso é concluir essas estruturas e colocá-las para funcionar”, afirmou.

Na educação, o governador afirmou ter encontrado um cenário ainda mais preocupante, especialmente nas comunidades indígenas do interior do estado. Segundo ele, diversas escolas tiveram reformas iniciadas e abandonadas antes da conclusão, obrigando estudantes a assistirem aulas em condições precárias.

“Visitei várias comunidades indígenas e encontrei escolas inacabadas, abandonadas ou funcionando em condições extremamente precárias. Em alguns lugares retiraram os alunos das salas de aula e eles passaram a estudar debaixo de árvores ou em estruturas improvisadas”, relatou.

Diante da situação, Sampaio determinou a realização de um levantamento detalhado sobre a infraestrutura escolar nas comunidades indígenas. O trabalho está sendo realizado pela Secretaria Estadual de Educação com apoio do Corpo de Bombeiros e inclui relatórios fotográficos para documentar a situação encontrada em cada localidade.

Segundo o governador, os dados preliminares apontam um quadro alarmante. “Pelo que estamos levantando, cerca de 90% das escolas indígenas não possuem estrutura adequada ou apresentam condições muito ruins de funcionamento. É uma realidade que precisa ser enfrentada com urgência”, afirmou.

Sampaio disse que pretende utilizar o diagnóstico para definir um plano de recuperação das unidades escolares e priorizar os investimentos nas regiões mais afetadas, em parceria com os municípios e o governo federal. 

As declarações foram feitas em meio à agenda de visitas realizadas pelo governador em municípios e comunidades do interior, onde tem acompanhado obras em andamento e recebido demandas relacionadas à saúde, educação e infraestrutura.

Para ele, o principal desafio da gestão é transformar obras inacabadas em serviços efetivamente disponíveis para a população. “Não adianta inaugurar prédio sem energia, escola sem condições de uso ou hospital sem funcionar. O que a população precisa é que essas estruturas estejam abertas, equipadas e prestando atendimento”, concluiu.

Jornalista Caíque Silva | Contato: 95-99121-2251 | E-mail: portalmacuxirr@gmail.com