Apesar do discurso reiterado do Governo de Roraima de que o Estado vive um processo contínuo de redução do endividamento e mantém uma das menores dívidas do país, os números oficiais contam outra história. Levantamento baseado em dados do Tesouro Nacional e analisado pelo economista Haroldo Amoras revela que a atual gestão entregará o governo com aumento nominal da dívida pública interna.
A avaliação foi apresentada por Amoras durante entrevista ao programa Agenda da Semana, da Rádio Folha FM 100.3, ao jornalista e economista Getúlio Cruz. Portanto, a narrativa oficial mentirosa não resiste à verificação dos dados disponíveis no Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro), base mantida pelo próprio governo federal.

De acordo com os números, em 2018, antes do início da atual administração, a dívida pública interna de Roraima era de aproximadamente R$ 1.9 bilhão. Ao longo da gestão, até 2023, o governo estadual efetivamente realizou pagamentos que somam R$ 370 milhões, fato amplamente explorado em peças institucionais e discursos oficiais.

No entanto, o ponto central da análise está no período mais recente. Entre 2024 e 2025, o Estado contraiu R$ 633 milhões em novas dívidas. O resultado prático é que, mesmo com os pagamentos realizados, o estoque da dívida voltou a crescer. Em 2024, a dívida consolidada de Roraima alcançou R$ 2,3 bilhões, conforme registro oficial no Siconfi.
O governo destaca apenas o que pagou, mas omite o quanto voltou a se endividar. Quando se olha o estoque final da dívida, ela é maior do que a herdada no início da gestão. Isso é um fato.
A constatação lança dúvidas sobre a transparência do discurso governamental e reacende o debate sobre a real situação fiscal do Estado. Embora Roraima continue figurando entre os estados com menor volume absoluto de dívida, o dado relevante, é a trajetória do endividamento e a coerência entre o discurso político e os números oficiais.