O Centro de Acolhimento ao Autista (TEAMARR), vinculado ao Programa de Atendimento Comunitário (PAC), da ALERR, promoveu, na tarde desta quinta-feira (23), a convite da Escola Municipal Raimundo Eloy, na zona Oeste de Boa Vista, atividades relacionadas ao mês “Abril Azul”, voltadas à comunidade escolar e famílias atípicas. A programação seguirá nesta sexta-feira (24).
O cronograma surgiu a partir da “Copa da Aprendizagem”, projeto desenvolvido pela instituição de ensino, o qual inclui oficinas, contação de histórias, e palestras para os familiares, com foco na disseminação de informações e reflexões sobre a condição do Transtorno do Espectro Autista e suas especificidades.
Conforme a psicopedagoga do TEAMARR, Tatiane Sousa, o número de crianças com diagnóstico de autismo tem crescido nos últimos tempos, o que demanda por mais ações informativas, que integrem peças fundamentais na vida do portador de TEA, como família e escola.
“É muito importante que haja essa parceria entre a família, a escola e a visão clínica, que somos nós, para que trabalhemos em conjunto a questão do manejo do comportamento dentro de casa e da sala de aula. Muitas vezes, as famílias, os cuidadores e os professores não sabem como lidar. Então, esses encontros são importantes para que eles tenham uma maior compreensão e, assim, contribuam com o desenvolvimento das crianças”, explicou.
A dona de casa Thainara Peres é mãe de um casal autista, de sete e três anos. A filha mais velha tem nível dois de suporte e recordou que, à época, possuía pouca informação sobre o TEA, inclusive por ser “mãe de primeira viagem”. Para ela, as informações são essenciais para o cuidado com as crianças especiais.
“Minha filha era uma criança que não socializava com nenhuma outra. Agora, com o acompanhamento, ela tem melhorado bastante essa questão e consegue fazer amizades com crianças da idade dela. Então, eu acho ótimas essas ações, porque muitos pais que estão descobrindo agora, pensam que é algo que não tem solução, assim como eu pensava. Mas, hoje, sabemos que há terapia e ajuda profissional. Inclusive, o TEAMARR, que sei que é uma instituição muito boa para os autistas”, frisou.
Sala sensorial
O TEAMARR também disponibilizou uma sala sensorial para os pequenos, com o objetivo de estimular o tato das crianças com aversão a certos tipos de texturas. De acordo com a voluntária Diana Cruz, crianças autistas têm uma sensibilidade mais aflorada, e o espaço os ajudam a terem vontade de tocar objetos fora de suas rotinas.
“Na sala, temos vários processos sensoriais que estimulam eles, desde abrir e fechar uma porta, uma mochila ou uma torneira, até lavar uma louça. Ela é válida para todas as crianças, porque há aquelas com processamento sensorial, que não são autistas. Por isso, é que trabalhamos com esses objetos, para que eles aprendam a conviver com certas texturas e sensações com as quais elas não estão acostumadas”, destacou.
Atualmente, a Escola Municipal Raimundo Eloy possui cerca de 100 alunos especiais, sendo 63 com autismo. A coordenadora pedagógica da instituição, Wendy Torres, destacou a importância de trazer para a comunidade iniciativas como as propostas pelo TEAMARR.
“Muitas famílias se deparam com desafios das crianças no cotidiano, e é difícil obter informações seguras que ajudem ambos. Nosso objetivo maior é esse: auxiliar nossas crianças no difícil caminho da inclusão. Porém, isso só será possível se as famílias também adquirirem conhecimento. Então, esses momentos, como a participação do TEAMARR são riquíssimos, pois, muitos deles não teriam outra oportunidade de aprimorar tais conhecimentos se não fossem essas oportunidades ímpares”, salientou.
Programação desta sexta-feira
Oficina culinária: confeitar cupcake;
Palestra para profissionais: Manejo de comportamento no ambiente escolar;
Palestra para familiares: Acolhimento, autocuidado e relações familiares.