O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) volta a julgar nesta terça-feira, 11, o processo que pode culminar na cassação do governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), e de seu vice, Edilson Damião. É a terceira vez que o caso retorna à pauta, em meio a articulações políticas e movimentações nos bastidores que tentam, a qualquer custo, adiar o desfecho.
Todos os olhares agora se voltam ao ministro André Mendonça, que segurou o processo por dois meses. Seu pedido de vista prolongado, somado ao desgaste público causado por sua relação direta com o Governo de Roraima, levanta suspeitas sobre interferência política e possível comprometimento da imparcialidade judicial.
Mendonça é fundador do Instituto Iter, que firmou contrato com o Governo de Roraima por dispensa de licitação pouco antes de reter o processo — uma coincidência que não passou despercebida pela imprensa nacional e pela sociedade. O episódio escancarou um possível conflito de interesses e alimentou questionamentos sobre a independência do ministro no julgamento de um governador com quem mantém vínculos institucionais.
A tentativa de adiar uma decisão que pode afastar Denarium do cargo, aliada ao contrato firmado antes do pedido de vista, reforça a percepção de que forças políticas atuam para proteger o governador e enfraquecer o rigor da Justiça Eleitoral. O julgamento desta terça será um teste não apenas para Denarium, mas para a credibilidade do TSE e a confiança da população na lisura do processo democrático.
Legalmente, um novo pedido de vista ainda é possível, mas qualquer nova manobra protelatória seria um outro golpe direto à credibilidade do Tribunal e de seus membros. Seria, na prática, escancarar para o país que interesses políticos e relações pessoais estariam se sobrepondo ao dever constitucional de julgar com celeridade e imparcialidade, visto que o processo ficou parado por um ano no Tribunal.