A relação entre o poder público e a imprensa não deve ser pautada pela conveniência política. Em uma democracia, responder aos questionamentos feitos por veículos de comunicação não é um favor da administração pública, mas uma obrigação decorrente dos princípios da transparência, da publicidade e da prestação de contas à sociedade.
No entanto, essa premissa parece ter sido esquecida pela Secretaria Municipal de Comunicação (SEMUC) de Boa Vista, atualmente comandada pelo jornalista Rodrigo Baraúna, indicado pelo prefeito Marcelo Zeitoune. Com frequência, as demandas encaminhadas pelo portal Macuxirr ao e-mail oficial destinado ao atendimento da imprensa (jornalismo@boavista.rr.gov.br) não são respondidas.
Nos últimos dias, o portal recebeu diversas denúncias da população sobre problemas que afetam diretamente a qualidade de vida dos moradores. Entre elas, ruas alagadas em bairros centrais e periféricos, além do abandono dos abrigos de ônibus, marcado pela falta de manutenção, deterioração das estruturas e o desaparecimento das centrais de ar das paradas climatizadas.
Todas essas demandas foram encaminhadas oficialmente à Prefeitura para que pudesse apresentar esclarecimentos, informar providências ou exercer seu direito de manifestação. A resposta, porém, foi o silêncio.
A ausência de retorno também se repetiu em um tema de grande interesse público. Na última semana, o Macuxirr buscou posicionamento do Executivo municipal sobre declarações feitas pelo vereador Ítalo Otávio, que apontou suspeitas envolvendo processos licitatórios, contratos milionários e uma empresa ligada ao ex-secretário municipal Jadir Lima, amigo pessoal do ex-prefeito Arthur Henrique. Mesmo diante da relevância do assunto, a Prefeitura optou por não responder aos questionamentos encaminhados pelo portal.
Na tentativa de obter uma manifestação oficial, o diretor do Macuxirr, jornalista Caíque Silva, também entrou em contato diretamente com o prefeito Marcelo Zeitoune e com o secretário Rodrigo Baraúna. Novamente, não houve resposta.
O problema vai muito além da relação entre um veículo de comunicação e a Prefeitura. Quando o poder público deixa de responder à imprensa, quem fica sem respostas é a própria população. O jornalismo exerce o papel de intermediar esse diálogo, levando aos gestores as dúvidas, denúncias e reivindicações dos cidadãos e, em contrapartida, oferecendo espaço para que a administração apresente explicações, esclareça fatos e informe as medidas adotadas.
O silêncio institucional enfraquece esse processo. A ausência de respostas não elimina os problemas apontados pela população nem impede que eles sejam noticiados. Apenas priva os cidadãos da versão oficial dos fatos e reduz a transparência que deve orientar toda administração pública. Prefeito Marcelo Zeitoune não deve saber disso!