Ex-integrante do projeto Crescer, criado por Teresa Surita, é sucesso no ramo da panificação e massas em Roraima

O empresário Diego Rodrigues, fundador da DR Fábrica de Massas, é um dos muitos exemplos de transformação social proporcionados pelo Projeto Crescer, iniciativa criada e idealizada pela ex-prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, no início da década de 2000.

Por meio das oficinas de panificação oferecidas pelo projeto, Diego teve acesso à qualificação profissional, entrou no mercado de trabalho e construiu uma trajetória de sucesso em Roraima.

“Foi no Projeto Crescer que comecei a aprender, me desenvolver e descobrir minha paixão pela panificação”, relembra o empresário.

Após anos trabalhando em uma padaria no Estado, Diego enfrentou um momento decisivo quando a empresa encerrou suas atividades. Em vez de desistir, apostou no sonho de empreender, adquiriu os maquinários e iniciou o próprio negócio, mesmo diante das dificuldades financeiras.

Hoje, a DR Fábrica de Massas se consolidou em Boa Vista nas áreas de panificação e fabricação de massas para pastel, gerando emprego, renda e movimentando a economia local.

A história de Diego evidencia o impacto de políticas públicas voltadas à inclusão social, capacitação profissional e geração de oportunidades, marcas das gestões de Teresa Surita em Boa Vista.

“Oportunidade transforma vidas. Quando o poder público investe nas pessoas, os resultados aparecem na vida real”, destaca Diego.

O Projeto Crescer se tornou referência em Boa Vista e no Brasil ao oferecer cursos, qualificação e acesso ao mercado de trabalho para milhares de jovens e famílias, criando oportunidades para quem mais precisava, além de reduzir em mais de 70% os índices de violência juvenil em Boa Vista.

PROJETO CRESCER

Em 2001 existiam na cidade de Boa Vista 35 gangues urbanas, conhecidas pela prática de atos violentos, disputas territoriais e envolvimento com o tráfico de drogas. Conhecidas como “galeras”, eram integradas por jovens, a maioria moradores de regiões de alta vulnerabilidade social. A partir de um amplo diagnóstico socieconômico, que abrangeu todo o município, os números da violência tornaram-se nomes, rostos, endereços e ganharam uma explicação: a situação de pobreza e indigência em que viviam cerca de 17 mil adolescentes.

Para mudar tal situação, a Prefeitura Municipal foi em busca desse público em ações como o “Esporte noite a dentro”, atividades noturnas nas regiões em que as galeras atuavam. Essas noites marcaram o início do contato entre os gestores e os adolescentes  e estabeleceram os alicerces principais do projeto Crescer: a confiança e o acolhimento.

Em 2004, foi criada a Escola Frei Arthur, que passou a abrigar todas as aulas oferecidas pelo projeto. As aulas, distribuídas em uma grade estruturada, incluíam oficinas de  artes plásticas, moda, música, xadrez e cursos profissionalizantes. Além disso, uma cooperativa foi fundada para comercialização dos produtos criados pelos alunos, que dividiam a renda.

A escola atendeu cerca de 900 pessoas até o ano de 2006, e o projeto recebeu diversos prêmios pela sua excelência na área social, como o da Fundação Getulio Vargas e da Petrobras. Tirou Boa Vista de uma triste posição no mapa da violência. De 35 gangues, sobraram apenas cinco, como mostrou o estudo do Instituto Sangari, baseado em dados do Ministério da Justiça, e a violência juvenil teve redução de 72% entre 2001 e 2007, de acordo com informações da Polícia Militar de Roraima. Mas apesar dos bons resultados, o programa foi encerrado pela administração seguinte.

Em 2014 o projeto foi retomado pela nova gestão municipal de Teresa Surita. E com novos desafios: o enfrentamento ao problema do crack. A nova escola do Crescer funciona de segunda a sexta-feira e recebe diariamente cerca de 500 jovens em dois turnos. O projeto foi reconhecido pelo Ministério da Justiça como uma das iniciativas mais avançadas no enfrentamento à violência juvenil.

O Novo Crescer atendeu milhares de jovens e adolescentes em toda a sua história que participaram de oficinas de marcenaria, luteria, serralheria, metalurgia, moda, serigrafia, educação para o trânsito e sinalização, artesanato, música, dança, cinema e meio ambiente, cozinha regional e panificação, hip hop, informática, teatro e biojoias.



Jornalista Caíque Silva | Contato: 95-99121-2251 | E-mail: portalmacuxirr@gmail.com