Inspeção técnica marca o início da elaboração de estudos para recuperar frigorífico em parceria com cooperativas e iniciativa privada e ampliar capacidade de processamento da produção pecuária em Roraima
O Governo de Roraima iniciou, nesta quarta-feira, 05, os estudos para viabilizar a reativação do antigo Mafir (Matadouro e Frigorífico Industrial de Roraima), localizado às margens da BR-174, na zona rural de Boa Vista.
A primeira etapa foi uma inspeção técnica nas instalações do complexo, que servirá de base para a elaboração de estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e operacional conduzidos pela Codesaima (Companhia de Desenvolvimento de Roraima).
A proposta é recuperar a estrutura por meio de uma parceria entre o poder público, cooperativas e a iniciativa privada, fortalecendo a cadeia produtiva da carne e ampliando a capacidade de processamento da produção pecuária no Estado.
Participaram da visita o governador Soldado Sampaio, o presidente da Codesaima, Sidney Camacho, o secretário da Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação), Cássio Gomes, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jorge Everton, além de representantes de cooperativas e produtores dos setores da pecuária e da fruticultura.
Durante a agenda, o governador informou que o Executivo encaminhará à Assembleia Legislativa um projeto de lei para regulamentar as parcerias público-privadas em Roraima, instrumento considerado essencial para viabilizar a recuperação e a futura operação do frigorífico.
“Queremos recuperar essa estrutura, que faz parte da história de Roraima, e devolvê-la aos produtores em condições de funcionamento. A ideia é modernizar o Mafir, construir um modelo de gestão em parceria com as cooperativas e ampliar a capacidade de atendimento da produção estadual. Não faz sentido manter um patrimônio público dessa importância sem utilização. Nosso objetivo é transformá-lo em um equipamento capaz de gerar desenvolvimento, fortalecer a agropecuária e criar novas oportunidades para o setor produtivo”, afirmou.
Estudos definirão modelo de reativação
Inaugurado em 1982, o Mafir foi durante décadas o principal frigorífico de Roraima com inspeção federal. Instalado em uma área de aproximadamente 20 hectares, o complexo desempenhou papel estratégico no desenvolvimento da pecuária estadual. As atividades foram interrompidas em 2018 e encerradas oficialmente em 2020.
Segundo o presidente da Codesaima, Sidney Camacho, a visita técnica representa o início de um trabalho multidisciplinar que definirá o modelo mais adequado para a retomada das atividades.
“Estamos iniciando estudos técnicos, financeiros, jurídicos e ambientais para avaliar a viabilidade da reativação do Mafir. O objetivo é construir esse projeto de forma conjunta com as cooperativas e representantes do setor produtivo, buscando um modelo moderno, eficiente e compatível com as exigências atuais. Também será criado um grupo de trabalho para analisar tecnologias, investimentos necessários e alternativas que ampliem a capacidade de processamento da produção pecuária do Estado”, explicou.
De acordo com Camacho, além de atender o mercado interno, a reativação do frigorífico poderá ampliar as oportunidades de comercialização para outros estados e até para o mercado internacional.
Representando a Coopercarne (Cooperativa Agropecuária de Roraima), o diretor André Prado destacou a importância da participação do setor produtivo na construção do projeto.
“A iniciativa é importante porque busca dar uma nova finalidade a uma estrutura já existente e envolve diretamente quem conhece as necessidades da produção. O diálogo entre governo, cooperativas e produtores será fundamental para construir uma solução que fortaleça a cadeia produtiva e contribua para o desenvolvimento econômico de Roraima”, afirmou.
Regularização patrimonial
Paralelamente aos estudos de viabilidade, a Codesaima conduz o processo de regularização patrimonial, jurídica, financeira e ambiental do antigo Mafir. As ações incluem a negociação de passivos históricos, a regularização da matrícula do imóvel e a execução do PRAD (Plano de Recuperação de Áreas Degradadas), com o objetivo de garantir segurança jurídica e ambiental para a futura destinação do complexo.